quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vagabundos a limpar as ruas

Já alguém olhou bem para o chão das nossas ruas? Falo especialmente para os habitantes da "grande alface", com os seus passeios cobertos com esse prodígio da falta de jeito que são "as pedras da calçada" (só por si merecedoras de uma "posta", aqui). Então, "é assim": entre as pedrinhas devia haver apenas terra mas como muitos de nós têm alma de labrego, acham que o solo é para ser plantado com... beatas. Talvez haja a secreta esperança de que os restos dos cigarros funcionem como uma espécie de semente e nos nossos passeios floresçam tabacais...

Os fumadores são porcos. Bem, quase todos o são. Ou... se calhar, só os fumadores ocasionais não são porcos. O que interessa é que eu sou incapaz de deitar uma beata para o chão e, se por acaso o fizesse, era de cigarillha o que teria duas vantagens: era uma coisa mais distinta e não tinha aquela irritante cor laranja (com um tracinho de branco). Ora, como para mim é impensável decorar o piso urbano com os restos do tabaco, pergunto-me se os meus conterrâneos que o fazem não mereceriam que lhes enfiassem as beatas ainda acesas pelos olhos adentro? Por mim, oferecia-me já para o trabalho.

Infelizmente, vivemos num mundo de xoninhas, onde já nem nos filhos se pode dar uma lambada corretiva, quanto mais num perfeito estranho que momentos antes ignorávamos e momentos depois detestamos. É difícil a vida em sociedade, sobretudo quando estamos rodeados de tugas não domesticados e protegidos por lei.

Quem se der ao trabalho de contar as beatas deitadas ao chão e o fizer numa distância de 100m arrisca-se a ter de usar a notação científica ao fim de metade do caminho.

Então, como resolver o problema das beatas cobrindo o chão? Pondo os vagabundos a trabalhar em prol do coletivo. Os "vagabundos" são aqueles inúteis que andam aí pelos cantos e a quem as alminhas contagiadas pelo politicamente correto resolveram passar a chamar "sem abrigo". É verdade que há vagabundos que vivem em ótimas casas mas também nunca conheci nenhum "sem abrigo" que não fosse, ao mesmo tempo, uma merda de um vagabundo, portanto...

Então, a minha ideia era que a cada marmanjo que se inscrevesse na Câmara Municipal fossem atribuídos uma identificação e um saco numerado. Depois, por cada quilo de beatas que o vagabundo entregasse nos serviços de limpeza camarários, era-lhe pago X. E eis que essa maltosa se dedicava a recolher todas as beatinhas que encontrasse, na mira de receber uns trocos para a próxima bebedeira.

E se a Câmara quisesse dar uma de assistente social, ainda podia ligar a inscrição no programa a algum tipo de esquema de reinserção social mas... para isso eu já me estaria cagando.

Portanto, matavam-se dois coelhos de uma só cajadada: limpavam-se as ruas e punha-se inúteis a fazer alguma coisa pela sociedade.

2 comentários:

  1. Catinga... tem de postar aqui o vídeo para os finlandeses, com o seu comentário no "duas ou três coisas"! Não é por nada... mas está demais! :))

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  2. Concordo com a fada. Referi-o no meu post sobre este assunto no Moleskine. Também reproduzi o seu comentário numa mensagem a muita gente da minha ML. Lamento não o ter podido incluir como destinatário dessa mensagem, mas não consegui descobrir neste blogue ou no seu perfil o seu endereço.

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