terça-feira, 19 de abril de 2011

Taxa de internacionalismo

Se há coisa de que o habitante desta terra gosta é de internacionalismos. Oh pá, mas qual é o dono de uma pensãozeca - por mais ranhosa e infestada de putedo e drogados que esteja -, que não enche as varandas de bandeirinhas de nações estrangeiras? Pobres e porcos, sim, mas também muito abertos ao mundo.

Se a situação se verifica nas pensões, também acontece nas residenciais, albergues, hotéis, barracas e caixotes de cartão espalhados por esta santa terra. O tuga adora bandeirinhas!

Quem também não escapa às tendências vexilológicas são os donos dos restaurantes. Aqui, o problema ocorre numa dimensão mais modesta já que, em princípio, as tascas de bairro não aderem à moda e, de certa forma, até agradecem que nenhum estranho lá entre (não vá ser da bófia). Mas, se a gente dá uma voltinha por zonas mais turísticas... ui, que o difícil mesmo é encontrar o menu em Português, perdido que está entre folhas A4 com bandeirinhas (lá está) indicando os petiscos em Inglês, Castelhano, Francês, Alemão, Holandês, Russo, Italiano, Japonês e, até, Chinês!

Aqui, quase que cedo a esse cancro do "isto só neste país". A verdade é que, se por grande acaso esta tendência de tornar as nossas esplanadas numa espécie de "hall" de entrada da ONU, não for unicamente nossa, pelo menos somos "bué da bons" nela. Ah, pois somos.

E, então, pergunto eu: e que tal se as câmaras municipais começassem a cobrar uma espécie de "taxa de internacionalismo" aos restaurantes que fizessem questão de tratar os turistas como nenhum português é tratado lá fora? Que tal se, para pespegarem com ementas na montra, escritas em línguas mais ou menos bárbaras, os donos dos reataurantes tivessem de abrir os cordões à bolsa?

Aaaah... e como é que os turistas, depois, percebiam a ementa? Da mesma forma que o fazem em todos os outros países onde este fenómeno pacóvio não ocorre. Que eu me lembre, nunca vi nenhum turista japonês passar fome por não ter "bitoque de porco" escrito aos tracinhos...

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