sexta-feira, 22 de abril de 2011

Portos a custo quase zero...

Portugal é a cabeça da Europa. Melhor dizendo, a Península é a cabeça e nós somos a cara (a testa é a Galiza). Qualquer pessoa que olhe para um mapa o nota. Felizmente, um mapa é apenas isso e não dá quaisquer informações sobre a porcaria de gente que habita as terras nele indicadas...

Bom... acidez à parte, o que isto nos indica é que, para grande parte do mundo, chegar à Europa significa, primeiro, chegar a Portugal. Isto é válido, sobretudo, para o tráfego marítimo com origem no continente americano. Algumas pessoas por cá já perceberam o potencial da nossa localização estratégica. Aliás, perceberam-no logo nos anos 60 e não descansaram enquanto não construiram um elefante branco chamado Sines. Bem... a culpa até nem foi delas, coitadinhas, mas da crise do petróleo. Agora, finalmente, parece que se dão passos maiores para a rentabilização da coisa (enquanto o petróleo durar).

Mas eu, como de costume, tenho as vistas mais largas e digo o seguinte: todos os portos nacionais deviam ser colossais portas de entrada de mercadorias para a Europa. Fosse picanha, brinquedos de má qualidade ou trigo, tudo o que viesse para a Europa a partir da América, África e até mesmo Ásia, devia passar por aqui. Como é que isto se conseguia? Descendo os custos dos nossos portos para níveis quase anedóticos com a condição de o transporte das mercadorias para os destinos finais ser feito por transportadoras portuguesas. Aos portos caberia cobrir os custos e acrescentar uma margem de lucro mínima sempre que o cliente se comprometesse a contratar uma empresa de tranportes de capitais nacionais. Os portos tinham, portanto, a viabilidade financeira assegurada já que os custos estavam pagos e as transportadoras contratadas lhes dariam uma pequena percentagem dos lucros. Desta forma conseguíamos algum lucro nos serviços portuários, venderíamos combustível aos barcos (o que aquilo deve consumir!), e daríamos trabalho às transportadoras. Para além disso, o facto de passarmos a distribuir a mercadoria pela Europa aumentaria a nossa importância estratégica no continente.

Mas a coisa não ficaria aqui: junto aos portos de descarga (o de Lisboa ficaria para turistas), haveria que desenvolver serviços com vista a sacar o máximo de dinheiro aos marinheiros. Estou, obviamente a falar de álcool, putas e jogo. Estas zonas deveriam ser inacessíveis à população local mas, para os marinheiros, deviam tornar-se uma espécie de zona franca onde eles poderiam torrar os seus ordenados. Mais lucro para o país, já se vê.
Imaginem os barcos com chinocas a atracarem e aquela maltosa a ir logo para o casino local espatifar o dinheirinho... E o Estado a lucrar, com impostos sobre os portos, sobre os combustíveis, sobre as transportadoras, sobre os casinos, sobre as putas...

E, se os marinheiros quisessem sair da zona portuária para ir dar uma volta, isso também se arranjava. Mediante uma taxa de saída...

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