domingo, 17 de abril de 2011

Multar a má utilização da língua

Não, isto não tem a ver com práticas sexuais eventualmente pouco higinénicas mas a algo muito mais simples: quem falar e escrever mal em público, paga multa!

Ceeeerto.... não me estou a referir à calinada dada em amena conversa de café, nem tão pouco à bacorada solta por um entrevistado na rádio ou TV. Isto não é coisa pidesca à espera de bufos. Mas... como justificar que um locutor televisivo insista em usar estrangeirismos desnecessários, pronuncie incorretamente determinadas palavras, construa frases de forma parva e vá desencantar neologismos no fundo do seu cu? Como aceitar que seja posta na via pública publicidade com erros ortográficos? (e já nem falo naquela que está integralmente em língua inglesa)

Um dos sintomas da nossa decadência é, precisamente, o pouco cuidado com que até as pessoas com mais educação falam o nosso idioma. Aqui não há lugar a teorias da evolução linguística - 90% das vezes em que se ouve ou lê um erro, trata-se de pura ignorância e desmazelo. Quem usa a língua como ferramenta de trabalho (os jornalistas, por exemplo) tem obrigação de se expressar exemplarmente. E se o seu currículo académico não lhe permite suficiente segurança na escrita, então, é para isso que estão aí os corretores ortográficos.

Que se lixem os "tenha uma boa noite", que se fodam os "aquilo que eu gosto", que se danem os "fiquei num hostel" e tantos outros casos de utilização merdelosa do Português. Querem ganhar a vida a escrever e a falar? Então, que o façam bem!

Ora, mais judeu do que o maior dos fariseus, o tuga só reage quando lhe vão ao bolso (isso e dizerem mal da merda do seu clube do coração), portanto, no dia em que os profissionais da comunicação social começassem a receber, ao fim do mês (eles ou as suas entidades empregadoras) uma listinha das multas que tinham de pagar por propagação da imbecilidade, garanto-vos que começavam a ter mais cuidado.

E isto não ficava por estes caramelos que referi. Não, também me estou a lembrar dos tradutores que tão frequentemente me causam verdadeira azia quando vou ao cinema. Assim de repente, recordo o animal que, durante um filme inteiro, escreveu "soccer" em vez de "futebol". "Jogas soccer? Eu adoro uma boa partida de soccer.". Acreditem, o diabo pode não existir, mas as chamas do inferno deviam ser um imperativo para muita gente.

E os labregos que afixam ementas nas montras das tascas, cheias de erros como "hoge á cosido"? Fuzilamento? Não, que os pobres, quando estavam na escola, já sonhavam com a forma de fazer a bifana perfeita e - reconheça-se-lhes a vocação e a utilidade -, todos nós gostamos de chafurdar num bom colesterol, de vez em quando. Mas, a multinha, era para pagar. Era vê-los logo a contratar o sobrinho que é um intelectual e conseguiu fazer o 7º ano à terceira, para lhes corrigir os preciosos menus. Lá está: promoção do emprego jovem. Um efeito colateral positivo, portanto.

E, mergulhando em pormenores práticos, como é que se calculavam as multas? Muito simples, digo eu. Na televisão, definiam-se intervalos horários aos quais era atribuído um índice baseado no suposto número de pessoas que estariam geralmente ruminando em frente ao televisor. Depois, era multiplicar o número de ocorrências pelo índice e pela multa. Se o valor final fosse, pelo menos, de umas boas centenas de euros, a coisa doía e a ignorância deixava de compensar.

No caso dos jornais, como não há horários, o índice era calculado com base no número de exemplares publicados.

Pela boca morre o peixe, pela bolsa ficavam os broncos pendurados!

1 comentário:

  1. Parabéns pelo blogue! é fora de série!:)
    :) Ainda tenho muito para ler... mas isto realmente deixa uma pessoa bem disposta! :)

    Olhe este também:
    http://caoepulgas.blogspot.com/2011/04/o-cacador-de-perolas_07.html

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