quarta-feira, 20 de abril de 2011

Discos em estrangeiro mais caros

Andam para aí umas "aves raras" preocupadas com o facto de as rádios não passarem música portuguesa em suficiente quantidade para respeitar uma certa lei da radiofonia. Chamo-lhes aves raras porque, nesta terra de trafulhas, haver alguém que ainda acredite que uma lei é para cumprir é, de facto, um motivo para se ser considerado um espécime exótico.

A verdade é que, como seria de esperar, as rádios estão-se cagando para a lei e, como é costume, as autoridades estão-se marimbando para a aplicação da dita. Ora, entre o cagatório e a marimbada, quem fica lixado é - como sempre -, o mexilhão.

Por este bivalve, entenda-se os artistas nacionais que sem as máquinas publicitárias das multinacionais - empenhadas em promover falsas virgens, falsas judias ou falsos artistas (para abreviar) -, não têm capacidade para fazer destacar as suas digníssimas obras. E diga-se, de passagem, que o nosso panorama Pop é de grande qualidade.

Então, o que fazer para resolver a situação e, de passagem, o Estado ganhar alguns trocos? Para já, aplicar a lei e multar com toda a força a merda das rádios mais os dandies estrangeirados dos seus diretores. Depois, aplicar uma taxa especial a todos os discos vendidos em Portugal em língua estrangeira. Eu bem sei que os The Gift, os Moonspell e o David Ferreira iriam sofrer na pela mas, como a banda da Brandoa vende é lá fora e os outros não me dizem nada, posso já aqui dizer que me estou cagando!

Então, diz o advogado do Diabo (que neste caso até fala Português), e isso não vai diminuir as vendas de discos e promover a pirataria? Vai pois, e ainda bem, porque, se há coisa que mete nojo é o negócio discográfico e tudo o que possa contribuir para que as editoras ranhosas, multinacionais, formatadoras da juventude segundo parâmetros imbecis, possam rebentar, é bem vindo, se não em nome da liberdade, pelo menos em nome do bom gosto.

E as lojas, as discotecas? Mas... ainda há quem entre numa loja para comprar um CD? Eu cá, tenho a impressão de que o pessoal só vai à FNAC saber quais são as novidades para, logo depois, ir ao YouTube ouvir a música. Não é assim?

Ou seja: temos umas rádios de merda que se recusam a cumprir a lei e praticamente banem a língua portuguesa. Temos uns artistas que fazem birra de cantar em estrangeiro mesmo que a sua carreira não vá além de Elvas e ainda temos um Estado que se está borrifando para isto. Eu bem sei que até temos um Primeiro Ministro que acha que uma das chaves para o sucesso é por as criancinhas a falar Inglês antes de saberem, sequer, dizer "Ó Pinóquio, vai-te matar!" (frase essencial quando se trata do nosso PM) mas, daí a andarmos todos nós a patrocinar as cantilenas em outras línguas...

Portanto, toca a aplicar uma taxazinha sobre as estrangeirices que é para desincentivar a venda de material alienígena, desagravar o material da casa e, de caminho, dar uns trocos ao Instituto Camões, por exemplo.

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