quarta-feira, 20 de abril de 2011

Carros: o tamanho sai caro

Já alguém reparou nos engarrafamentos de acesso a Lisboa? São ainda mais estúpidos do que os engarrafamentos para sair de Lisboa. E isto porque eu percebo que toda a gente se precipite para a estrada para voltar para casa e lá chegar ainda a tempo de ouvir o Malato dizer que foi muito feliz numa discoteca qualquer em Madrid mas... molhada para ir trabalhar? Isso é que é esquisito. Ou, se calhar, não é. Talvez a razão dos carros andarem tão devagarinho de manhã seja a pouca vontade de chegar. Vai-se empurrando o gajo da frente como quem diz, "vai tu primeiro, que eu vou lá ter".

Considerações à parte sobre a natureza da lentidão automóvel, a verdade verdadinha é que estes vermes dos tempos modernos (as bichas de trânsito - não os os esforçados trabalhadores que tudo fazem para chegarem atrasados), tendem a ser enormes e a ocupar quilómetros de belo asfalto. À noite ainda vejo alguma beleza no fenómeno, sobretudo por trás, por causa das luzinhas vermelhas que me fazem lembrar uma enorme avenida de bordéis mas, durante o dia, a coisa é positivamente feia.

Então, o que fazer para acabar com as filas? Assim de repente, ocorre-me matar os condutores que, como perfeitas abébias, todos os dias se metem naquele trânsito, só para não se sujarem nos transportes públicos. Mas, depois, lá iam dizer que há que fazer as coisas pela positiva e que os automobilistas também têm coração, portanto, sejamos criativos na procura de uma solução. E aqui vai ela: não se podendo acabar com as filas, pelo menos é possível diminuir o seu tamanho. Como? Aplicando taxas diferenciadas aos automóveis de acordo com o seu tamanho. A tugalhada, egoísta como só ela é gosta de ter um popó para cada cu. Que o carro tenha quatro ou oito lugares, isso é apenas coisa que diz respeito à necessidade de espaço do proprietário. O carro de alguém é como o seu palácio e o número de divisões adequa-se ao seu ego. Mas, os outros não têm nada a ver com isso e cada popó que sai para a estrada, levando dentro de si apenas um palerma, serve para o mesmo que o mais pequeno dos veículos mas ocupa o dobro do espaço. Dobro do espaço na estrada, no estacionamento, no horizonte... Então, porque razão se deve taxar os carros apenas de acordo com a sua cilindrada e não com o espaço público que eles ocupam? Se no espaço de um carro familiar (que leva uma criatura) cabem dois Smarts (que levam duas), então, os Smarts não deviam pagar menos impostos do que o popó familiar?

Toca a aplicar um plano nacional em prol dos carros pequenos. Esqueçam lá essas paneleirices da partilha de carros (há gente que não entende a selva em que vive) e, aceitando o egoísmo militante da população, manipulem-no por forma a diminuir os estragos da maralhada.

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