sexta-feira, 22 de abril de 2011

Caçadores de impostos

Digam lá uma coisa da qual a tugalhada não goste? Cumprir obrigações. (esta era fácil). E uma das obrigações que mais dor causa ao fígado dos bichos desta terra é o pagamento dos impostos. Que são muitos, que são pesados, que não servem para "ajudar o povo", etc. A merda desta gente deve achar que os milhões de estradas que neste país se constroem (um dia destes, em vez de paisagem com estradas, temos estradas com quintais no meio) - e nas quais gostam tanto de andar a passear de cuzinho tremido -, são um milagre da Nossa Senhora do Betão. E os hospitais onde estes morcões gostam de ir mal têm uma dor de cabeça são pagos com o fruto da árvore das patacas. E as escolas onde se despeja a filharada para aprender a ser burra são mantidas com dinheiro de um tesouro romano...

Não há muita maneira de fazer os broncos entenderem que os impostos são essenciais para o funcionamento de um Estado decente. A menos que se fale dos países nórdicos. Aí, o tuga já acha muito bem que os esforçados herdeiros dos viquingues tenham de largar metade do ordenado para sustentar um Estado Providência que até a manicure paga às senhoras (não sei se o faz mas achei que tinha piada escrever isto). Já em Portugal, talvez fruto dessa enorme Fé no divino que nós temos, o Estado deve ser capaz de proporcionar cada vez mais conforto aos cidadãos ao mesmo tempo que cobra cada vez menos impostos. É uma equação estranha mas, afinal, nós não estamos, propriamente, a falar de gente normal e, além disso, é sempre possível desatar qualquer nó lógico com um "Deus ajuda".

Mas, quem tem de lidar com a realidade dos números e sabe o que custa pagar as contas da incomensurável quantidade de obrigações que o Estado tem sabe que é sua obrigação não ligar aos omnipresentes queixumes e sacar o devido a quem de direito. Ora, aquilo que me é dado ler frequentemente é que o Estado esbanja com alguma frequência quantidades colossais de dinheiro em impostos que não chegam a ser cobrados. E isto não se entende!

A menos que os funcionários das Finanças sejam uma espécie de Robins dos Bosques que tapam os olhos às dívidas dos "pobres", roubando desta forma o "rico" Estado, não se compreende como é que a máquina da cobrança de impostos deixa fugir tanto dinheiro num país que vive à míngua de coroas. Antigamente, a desculpa era a falta de funcionários mas o Estado investiu imenso na informatização dos sistemas e no cruzamento de dados e, desta forma, tem máquinas fazendo o que os funcionários não conseguiam fazer; depois, eram as leis que não ajudavam mas o país já flexibilizou bastante as regras por forma a permitir. de uma forma mais fácil, penhorar os bens dos faltosos; dizem que há o problema do sigilio bancário mas a verdade é que os juizes podem "abrir" as contas desde que haja razão para isso, portanto... ficamos em quê? Eu cá, resolvia o problema num ápice. Sabeis como? Passem a dar aos fiscais das finanças uma percentagem sobre as dívidas cobradas e verão a caça ao vigarista que se gera... Eles (os fiscais) até trabalham no dia de Natal, se for preciso. Meus amigos, no dia em que a ganância dos que não pagam impostos for combatida com a ganância dos funcionários do Ministério das Finanças, o problema da fuga aos impostos acaba imediatamente!

Um dos males desta terra é que há uma camada de pessoas que acredita em princípios éticos. Eu também os tenho mas não acredito que os outros possuam igual fraqueza. E como nós, os palermas, temos de lidar com uma sociedade feita essencialmente de bardamerdas, cada vez que tratamos os outros como se fossem gente a sério, estamos a ajudar a dar mais cabo do país. Parece paradoxal mas a crença nos princípios é uma das razões para o falhanço da sociedade. Esperar que as pessoas cumpram os seus deveres sociais e fiscais (não o fazem) e, depois, por-lhes à perna gente que sofre exatamente da mesma falta de brio (no caso, profissional) é receita certa para o falhanço.

Então, e este esquema não tem falhas? Tê-las-á, como tudo mas as vantagens compensam. Um dos problemas que poderia surgir era uma espécie de corrida ao grande devedor, esquecendo-se os milhentos pequenos devedores. Isto resolvia-se com uma hierarquização dos "caçadores": apenas determinados níveis de caçadores de impostos teriam acesso a determinados devedores, Os outros, só podiam trabalhar com os pequenos. Isto asseguraria que nenhum nível fosse esquecido, até porque a obtenção de bons resultados na caça às presas miúdas serviria para ascender na hierarquia.

O facto de a profissão de fiscal das Finanças dar muito dinheiro levaria à promoção social desta classe profissional. Por sua vez, isto levaria à despromoção dos devedores (tidos como a porcaria com que os prestigiados teriam de lidar). Mais uma vantagem.

Aprendamos a usar os defeitos de caráter da nossa população em benefício do coletivo. Se o português é um tipo egoísta e ganancioso, então, ponha-se-lhe uma boa cenoura à frente para que ele corra mais. Se os funcionários das Finanças virem a sua conta bancária crescendo à medida que apanham os filhos da puta que vivem à custa dos outros, o país começa a funcionar melhor. E que se fodam os princípios éticos!

1 comentário:

  1. ahahahh! Mas que retrato tão perfeito da nossa sociedade!! Nem mais nem menos!

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