sexta-feira, 10 de junho de 2011

A cada um a sua forma de se esconder...

Estava aqui a ver as "comemorações" do Dia de Portugal (entenda-se, o Baião aos berros no meio de uma praça enorme em Castelo Branco) e reparei que as nossas forças armadas presentes no local envergam três tipos diferentes de camuflado. E isto para já não falar numas tendas que por ali estão e que ainda ostentam um quarto padrão.

OK. É óbvio que tropa e camuflados são coisa que andam de mão dada mas... o que me faz espécie é que cada ramo das FA tenha um padrão diferente. É que isto implica logo custos acrescidos. Uma coisa é comprar-se umas dezenas de milhares de fardas para o Exército, Marinha e Força Aérea e outra coisa muito diferente é a FA ir sozinha comprar umas centenas de camuflados e, depois, a Marinha também fazer o mesmo noutra "loja". Na vida empresarial, isto chamar-se-ia má gestão. Nas FA, chama-se especificidades de cada ramo.

E - outra coisa -, para que raio é que a Força Aérea precisa de camuflados em tons de verde? Se fossem cinzentos e pretos eu até percebia (para se confundirem com o alcatrão das pistas); se fossem azuis, podia ser para se diluirem nas nuvens mas... verdes? Só se for para não serem vistos nos arbustos circundantes das bases aéreas (em caso de fuga).

Do ponto de vista prático, toda esta diversidade deixa-me um bocadinho confuso (mas eu sou apenas um palerma de um civil): os paraquedistas e os fuzileiros (já nem falo dos comandos) deviam "andar" todos nos mesmos sítios, não é? Se juntássemos três militares no mato, havia algum que se visse mais ou menos? Era igual? Então, porquê a diferença? Era diferente? Então, porquê a diferença (pergunto novamente). Se calhar, é apenas uma questão "fashion" e, consequentemente, de preço a pagar pelo Estado porque uns gostam de manchas largas e outros de riscas...

Ah... antes de acabar este texto, acabo de ver um oficial com outro camuflado. Este parece ser em tons areia. Ou é para irmos invadir a Ilha do Fogo ou deve ser para aquelas missões importantíssimas no nosso mui querido Afeganistão...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vagabundos a limpar as ruas

Já alguém olhou bem para o chão das nossas ruas? Falo especialmente para os habitantes da "grande alface", com os seus passeios cobertos com esse prodígio da falta de jeito que são "as pedras da calçada" (só por si merecedoras de uma "posta", aqui). Então, "é assim": entre as pedrinhas devia haver apenas terra mas como muitos de nós têm alma de labrego, acham que o solo é para ser plantado com... beatas. Talvez haja a secreta esperança de que os restos dos cigarros funcionem como uma espécie de semente e nos nossos passeios floresçam tabacais...

Os fumadores são porcos. Bem, quase todos o são. Ou... se calhar, só os fumadores ocasionais não são porcos. O que interessa é que eu sou incapaz de deitar uma beata para o chão e, se por acaso o fizesse, era de cigarillha o que teria duas vantagens: era uma coisa mais distinta e não tinha aquela irritante cor laranja (com um tracinho de branco). Ora, como para mim é impensável decorar o piso urbano com os restos do tabaco, pergunto-me se os meus conterrâneos que o fazem não mereceriam que lhes enfiassem as beatas ainda acesas pelos olhos adentro? Por mim, oferecia-me já para o trabalho.

Infelizmente, vivemos num mundo de xoninhas, onde já nem nos filhos se pode dar uma lambada corretiva, quanto mais num perfeito estranho que momentos antes ignorávamos e momentos depois detestamos. É difícil a vida em sociedade, sobretudo quando estamos rodeados de tugas não domesticados e protegidos por lei.

Quem se der ao trabalho de contar as beatas deitadas ao chão e o fizer numa distância de 100m arrisca-se a ter de usar a notação científica ao fim de metade do caminho.

Então, como resolver o problema das beatas cobrindo o chão? Pondo os vagabundos a trabalhar em prol do coletivo. Os "vagabundos" são aqueles inúteis que andam aí pelos cantos e a quem as alminhas contagiadas pelo politicamente correto resolveram passar a chamar "sem abrigo". É verdade que há vagabundos que vivem em ótimas casas mas também nunca conheci nenhum "sem abrigo" que não fosse, ao mesmo tempo, uma merda de um vagabundo, portanto...

Então, a minha ideia era que a cada marmanjo que se inscrevesse na Câmara Municipal fossem atribuídos uma identificação e um saco numerado. Depois, por cada quilo de beatas que o vagabundo entregasse nos serviços de limpeza camarários, era-lhe pago X. E eis que essa maltosa se dedicava a recolher todas as beatinhas que encontrasse, na mira de receber uns trocos para a próxima bebedeira.

E se a Câmara quisesse dar uma de assistente social, ainda podia ligar a inscrição no programa a algum tipo de esquema de reinserção social mas... para isso eu já me estaria cagando.

Portanto, matavam-se dois coelhos de uma só cajadada: limpavam-se as ruas e punha-se inúteis a fazer alguma coisa pela sociedade.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ginástica mental - Xadrez e Cia.

Mmm... assim de repente, isto parece ser uma espécie de contradição relativamente a algumas expressões minhas pouco abonatórias das capacidades cerebrais da espécie predominante no nosso território (o Homo Tugus). É verdade que eu acho que a maior parte dos meus compatriotas é, numa só palavra, estúpida. Se quisermos desenvolver um pouco o conceito, posso dizer algo do tipo "estúpida que nem uma porta" mas não me peçam para ir muito além porque já me dói a cabeça...

E porque razão é o português estúpido? Por questões genéticas? Por causa do mau cheiro vindo do país vizinho? Por causa do excesso de peixe na alimentação? Nisto eu até sou otimista. O português é estúpido porque o fazem assim. Isto é diferente das questões psiquiátricas, atenção! Eu não estou aqui a falar dos inúmeros defeitos de personalidade e das múltiplas doenças da psique que atingem a nossa população. Não, eu estou unicamente a falar do desenvolvimento da inteligência. Uma pessoa pode ter a cabeça toda fodidinha e, ainda assim, ser alguém inteligente e útil à sociedade. O grande problema, aqui, é que a maior parte de nós só coleciona as negativas..

Então - lembrem-se sempre de que isto é um blog para apontar soluções -, como é que tornamos os Portugueses mais inteligentes? Como sempre, há o lado estatístico que implica a eliminação da parte defeituosa da população e há o lado humanista (os tugas são humanos?) que desenvolve ideias com base no aproveitamento dos detritos existentes. Os ambientalistas preferem, claramente, esta segunda via.

Desde a escola primária (ou básica), todo o cidadão nacional deveria ser OBRIGADO a estudar e a desenvolver capacidades em atividades de desenvolvimento mental. Estou a falar de coisas como o Xadrez, as Damas, o Sudoku, etc., que deviam constituir uma disciplina de direito próprio, equivalente a qualquer outra (como o Português ou a Matemática). As vantagens da aprendizagem destes "jogos mentais" seriam óbvias: os miúdos ganhariam em concentração, capacidade de raciocínio, calma, ponderação, análise, etc. E tudo o que eles adquirissem nesta disciplina acabaria por ser aplicado no estudo das outras.

Não há ninguém à face da terra que conteste os benefícios da prática de modalidades como o Xadrez. Ninguém! E, no entanto, apesar de terem custos mínimos, estes jogos não penetraram ainda no sistema educativo como ferramenta para o desenvolvimento intelectual da população. É preciso ser-se estúpido para não ver as vantagens dos "desportos mentais". Se, ao menos, os responsáveis pelo Ministério da Educação tivessem jogado xadrez em pequenos...

Os miúdos, hoje em dia, são torturados com uma carga de conhecimento inútil nas escolas (no meu tempo também era assim mas fica sempre bem dizer que hoje é pior). Sucedem-se as matérias sem aplicação prática, assentes na teorização estéril e cansativa que leva ao desinteresse e ao afastamento de tudo quanto não seja "divertido". Ao obrigar-se a população estudantil (gente na fase em que a mente e o corpo estão em polvorosa) a empinar conhecimento isolado (a ligação ao "geral" nunca lhes é apresentada) só se está a promover o desinteresse intelectual e a promover a imbecilização. Várias das disciplinas atualmente vigentes poderiam perfeitamente desaparecer para dar lugar à ginástica mental.

Quanto aos professores, numa primeira fase o Estado poder-se-ia valer dos carolas das diversas modalidades bem como dos muitos clubes existentes. Ao mesmo tempo, reciclar-se-ia professores por forma a serem capazes de ensinar o bê-a-bá (como é que isto se escreve?) das diferentes modalidades.

Retiravam-se disciplinas inúteis do currículo escolar, promovia-se o ganho de capacidade intelectual da população estudantil e melhorava-se o desempenho geral escolar.

Portos a custo quase zero...

Portugal é a cabeça da Europa. Melhor dizendo, a Península é a cabeça e nós somos a cara (a testa é a Galiza). Qualquer pessoa que olhe para um mapa o nota. Felizmente, um mapa é apenas isso e não dá quaisquer informações sobre a porcaria de gente que habita as terras nele indicadas...

Bom... acidez à parte, o que isto nos indica é que, para grande parte do mundo, chegar à Europa significa, primeiro, chegar a Portugal. Isto é válido, sobretudo, para o tráfego marítimo com origem no continente americano. Algumas pessoas por cá já perceberam o potencial da nossa localização estratégica. Aliás, perceberam-no logo nos anos 60 e não descansaram enquanto não construiram um elefante branco chamado Sines. Bem... a culpa até nem foi delas, coitadinhas, mas da crise do petróleo. Agora, finalmente, parece que se dão passos maiores para a rentabilização da coisa (enquanto o petróleo durar).

Mas eu, como de costume, tenho as vistas mais largas e digo o seguinte: todos os portos nacionais deviam ser colossais portas de entrada de mercadorias para a Europa. Fosse picanha, brinquedos de má qualidade ou trigo, tudo o que viesse para a Europa a partir da América, África e até mesmo Ásia, devia passar por aqui. Como é que isto se conseguia? Descendo os custos dos nossos portos para níveis quase anedóticos com a condição de o transporte das mercadorias para os destinos finais ser feito por transportadoras portuguesas. Aos portos caberia cobrir os custos e acrescentar uma margem de lucro mínima sempre que o cliente se comprometesse a contratar uma empresa de tranportes de capitais nacionais. Os portos tinham, portanto, a viabilidade financeira assegurada já que os custos estavam pagos e as transportadoras contratadas lhes dariam uma pequena percentagem dos lucros. Desta forma conseguíamos algum lucro nos serviços portuários, venderíamos combustível aos barcos (o que aquilo deve consumir!), e daríamos trabalho às transportadoras. Para além disso, o facto de passarmos a distribuir a mercadoria pela Europa aumentaria a nossa importância estratégica no continente.

Mas a coisa não ficaria aqui: junto aos portos de descarga (o de Lisboa ficaria para turistas), haveria que desenvolver serviços com vista a sacar o máximo de dinheiro aos marinheiros. Estou, obviamente a falar de álcool, putas e jogo. Estas zonas deveriam ser inacessíveis à população local mas, para os marinheiros, deviam tornar-se uma espécie de zona franca onde eles poderiam torrar os seus ordenados. Mais lucro para o país, já se vê.
Imaginem os barcos com chinocas a atracarem e aquela maltosa a ir logo para o casino local espatifar o dinheirinho... E o Estado a lucrar, com impostos sobre os portos, sobre os combustíveis, sobre as transportadoras, sobre os casinos, sobre as putas...

E, se os marinheiros quisessem sair da zona portuária para ir dar uma volta, isso também se arranjava. Mediante uma taxa de saída...

Caçadores de impostos

Digam lá uma coisa da qual a tugalhada não goste? Cumprir obrigações. (esta era fácil). E uma das obrigações que mais dor causa ao fígado dos bichos desta terra é o pagamento dos impostos. Que são muitos, que são pesados, que não servem para "ajudar o povo", etc. A merda desta gente deve achar que os milhões de estradas que neste país se constroem (um dia destes, em vez de paisagem com estradas, temos estradas com quintais no meio) - e nas quais gostam tanto de andar a passear de cuzinho tremido -, são um milagre da Nossa Senhora do Betão. E os hospitais onde estes morcões gostam de ir mal têm uma dor de cabeça são pagos com o fruto da árvore das patacas. E as escolas onde se despeja a filharada para aprender a ser burra são mantidas com dinheiro de um tesouro romano...

Não há muita maneira de fazer os broncos entenderem que os impostos são essenciais para o funcionamento de um Estado decente. A menos que se fale dos países nórdicos. Aí, o tuga já acha muito bem que os esforçados herdeiros dos viquingues tenham de largar metade do ordenado para sustentar um Estado Providência que até a manicure paga às senhoras (não sei se o faz mas achei que tinha piada escrever isto). Já em Portugal, talvez fruto dessa enorme Fé no divino que nós temos, o Estado deve ser capaz de proporcionar cada vez mais conforto aos cidadãos ao mesmo tempo que cobra cada vez menos impostos. É uma equação estranha mas, afinal, nós não estamos, propriamente, a falar de gente normal e, além disso, é sempre possível desatar qualquer nó lógico com um "Deus ajuda".

Mas, quem tem de lidar com a realidade dos números e sabe o que custa pagar as contas da incomensurável quantidade de obrigações que o Estado tem sabe que é sua obrigação não ligar aos omnipresentes queixumes e sacar o devido a quem de direito. Ora, aquilo que me é dado ler frequentemente é que o Estado esbanja com alguma frequência quantidades colossais de dinheiro em impostos que não chegam a ser cobrados. E isto não se entende!

A menos que os funcionários das Finanças sejam uma espécie de Robins dos Bosques que tapam os olhos às dívidas dos "pobres", roubando desta forma o "rico" Estado, não se compreende como é que a máquina da cobrança de impostos deixa fugir tanto dinheiro num país que vive à míngua de coroas. Antigamente, a desculpa era a falta de funcionários mas o Estado investiu imenso na informatização dos sistemas e no cruzamento de dados e, desta forma, tem máquinas fazendo o que os funcionários não conseguiam fazer; depois, eram as leis que não ajudavam mas o país já flexibilizou bastante as regras por forma a permitir. de uma forma mais fácil, penhorar os bens dos faltosos; dizem que há o problema do sigilio bancário mas a verdade é que os juizes podem "abrir" as contas desde que haja razão para isso, portanto... ficamos em quê? Eu cá, resolvia o problema num ápice. Sabeis como? Passem a dar aos fiscais das finanças uma percentagem sobre as dívidas cobradas e verão a caça ao vigarista que se gera... Eles (os fiscais) até trabalham no dia de Natal, se for preciso. Meus amigos, no dia em que a ganância dos que não pagam impostos for combatida com a ganância dos funcionários do Ministério das Finanças, o problema da fuga aos impostos acaba imediatamente!

Um dos males desta terra é que há uma camada de pessoas que acredita em princípios éticos. Eu também os tenho mas não acredito que os outros possuam igual fraqueza. E como nós, os palermas, temos de lidar com uma sociedade feita essencialmente de bardamerdas, cada vez que tratamos os outros como se fossem gente a sério, estamos a ajudar a dar mais cabo do país. Parece paradoxal mas a crença nos princípios é uma das razões para o falhanço da sociedade. Esperar que as pessoas cumpram os seus deveres sociais e fiscais (não o fazem) e, depois, por-lhes à perna gente que sofre exatamente da mesma falta de brio (no caso, profissional) é receita certa para o falhanço.

Então, e este esquema não tem falhas? Tê-las-á, como tudo mas as vantagens compensam. Um dos problemas que poderia surgir era uma espécie de corrida ao grande devedor, esquecendo-se os milhentos pequenos devedores. Isto resolvia-se com uma hierarquização dos "caçadores": apenas determinados níveis de caçadores de impostos teriam acesso a determinados devedores, Os outros, só podiam trabalhar com os pequenos. Isto asseguraria que nenhum nível fosse esquecido, até porque a obtenção de bons resultados na caça às presas miúdas serviria para ascender na hierarquia.

O facto de a profissão de fiscal das Finanças dar muito dinheiro levaria à promoção social desta classe profissional. Por sua vez, isto levaria à despromoção dos devedores (tidos como a porcaria com que os prestigiados teriam de lidar). Mais uma vantagem.

Aprendamos a usar os defeitos de caráter da nossa população em benefício do coletivo. Se o português é um tipo egoísta e ganancioso, então, ponha-se-lhe uma boa cenoura à frente para que ele corra mais. Se os funcionários das Finanças virem a sua conta bancária crescendo à medida que apanham os filhos da puta que vivem à custa dos outros, o país começa a funcionar melhor. E que se fodam os princípios éticos!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Discos em estrangeiro mais caros

Andam para aí umas "aves raras" preocupadas com o facto de as rádios não passarem música portuguesa em suficiente quantidade para respeitar uma certa lei da radiofonia. Chamo-lhes aves raras porque, nesta terra de trafulhas, haver alguém que ainda acredite que uma lei é para cumprir é, de facto, um motivo para se ser considerado um espécime exótico.

A verdade é que, como seria de esperar, as rádios estão-se cagando para a lei e, como é costume, as autoridades estão-se marimbando para a aplicação da dita. Ora, entre o cagatório e a marimbada, quem fica lixado é - como sempre -, o mexilhão.

Por este bivalve, entenda-se os artistas nacionais que sem as máquinas publicitárias das multinacionais - empenhadas em promover falsas virgens, falsas judias ou falsos artistas (para abreviar) -, não têm capacidade para fazer destacar as suas digníssimas obras. E diga-se, de passagem, que o nosso panorama Pop é de grande qualidade.

Então, o que fazer para resolver a situação e, de passagem, o Estado ganhar alguns trocos? Para já, aplicar a lei e multar com toda a força a merda das rádios mais os dandies estrangeirados dos seus diretores. Depois, aplicar uma taxa especial a todos os discos vendidos em Portugal em língua estrangeira. Eu bem sei que os The Gift, os Moonspell e o David Ferreira iriam sofrer na pela mas, como a banda da Brandoa vende é lá fora e os outros não me dizem nada, posso já aqui dizer que me estou cagando!

Então, diz o advogado do Diabo (que neste caso até fala Português), e isso não vai diminuir as vendas de discos e promover a pirataria? Vai pois, e ainda bem, porque, se há coisa que mete nojo é o negócio discográfico e tudo o que possa contribuir para que as editoras ranhosas, multinacionais, formatadoras da juventude segundo parâmetros imbecis, possam rebentar, é bem vindo, se não em nome da liberdade, pelo menos em nome do bom gosto.

E as lojas, as discotecas? Mas... ainda há quem entre numa loja para comprar um CD? Eu cá, tenho a impressão de que o pessoal só vai à FNAC saber quais são as novidades para, logo depois, ir ao YouTube ouvir a música. Não é assim?

Ou seja: temos umas rádios de merda que se recusam a cumprir a lei e praticamente banem a língua portuguesa. Temos uns artistas que fazem birra de cantar em estrangeiro mesmo que a sua carreira não vá além de Elvas e ainda temos um Estado que se está borrifando para isto. Eu bem sei que até temos um Primeiro Ministro que acha que uma das chaves para o sucesso é por as criancinhas a falar Inglês antes de saberem, sequer, dizer "Ó Pinóquio, vai-te matar!" (frase essencial quando se trata do nosso PM) mas, daí a andarmos todos nós a patrocinar as cantilenas em outras línguas...

Portanto, toca a aplicar uma taxazinha sobre as estrangeirices que é para desincentivar a venda de material alienígena, desagravar o material da casa e, de caminho, dar uns trocos ao Instituto Camões, por exemplo.

Carros: o tamanho sai caro

Já alguém reparou nos engarrafamentos de acesso a Lisboa? São ainda mais estúpidos do que os engarrafamentos para sair de Lisboa. E isto porque eu percebo que toda a gente se precipite para a estrada para voltar para casa e lá chegar ainda a tempo de ouvir o Malato dizer que foi muito feliz numa discoteca qualquer em Madrid mas... molhada para ir trabalhar? Isso é que é esquisito. Ou, se calhar, não é. Talvez a razão dos carros andarem tão devagarinho de manhã seja a pouca vontade de chegar. Vai-se empurrando o gajo da frente como quem diz, "vai tu primeiro, que eu vou lá ter".

Considerações à parte sobre a natureza da lentidão automóvel, a verdade verdadinha é que estes vermes dos tempos modernos (as bichas de trânsito - não os os esforçados trabalhadores que tudo fazem para chegarem atrasados), tendem a ser enormes e a ocupar quilómetros de belo asfalto. À noite ainda vejo alguma beleza no fenómeno, sobretudo por trás, por causa das luzinhas vermelhas que me fazem lembrar uma enorme avenida de bordéis mas, durante o dia, a coisa é positivamente feia.

Então, o que fazer para acabar com as filas? Assim de repente, ocorre-me matar os condutores que, como perfeitas abébias, todos os dias se metem naquele trânsito, só para não se sujarem nos transportes públicos. Mas, depois, lá iam dizer que há que fazer as coisas pela positiva e que os automobilistas também têm coração, portanto, sejamos criativos na procura de uma solução. E aqui vai ela: não se podendo acabar com as filas, pelo menos é possível diminuir o seu tamanho. Como? Aplicando taxas diferenciadas aos automóveis de acordo com o seu tamanho. A tugalhada, egoísta como só ela é gosta de ter um popó para cada cu. Que o carro tenha quatro ou oito lugares, isso é apenas coisa que diz respeito à necessidade de espaço do proprietário. O carro de alguém é como o seu palácio e o número de divisões adequa-se ao seu ego. Mas, os outros não têm nada a ver com isso e cada popó que sai para a estrada, levando dentro de si apenas um palerma, serve para o mesmo que o mais pequeno dos veículos mas ocupa o dobro do espaço. Dobro do espaço na estrada, no estacionamento, no horizonte... Então, porque razão se deve taxar os carros apenas de acordo com a sua cilindrada e não com o espaço público que eles ocupam? Se no espaço de um carro familiar (que leva uma criatura) cabem dois Smarts (que levam duas), então, os Smarts não deviam pagar menos impostos do que o popó familiar?

Toca a aplicar um plano nacional em prol dos carros pequenos. Esqueçam lá essas paneleirices da partilha de carros (há gente que não entende a selva em que vive) e, aceitando o egoísmo militante da população, manipulem-no por forma a diminuir os estragos da maralhada.